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Resumo:O anúncio das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2), desencadeou uma onda de volatilidade nos mercados globais, com impactos diretos no mercado forex
O anúncio das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2), desencadeou uma onda de volatilidade nos mercados globais, com impactos diretos no mercado forex. Com uma tarifa-base de 10% sobre todas as importações americanas e taxas adicionais que chegam a 54% para países como a China, a medida reacendeu temores de uma guerra comercial em escala global. Para os traders brasileiros, o cenário traz tanto oportunidades quanto desafios, especialmente considerando a posição relativamente privilegiada do Brasil, que escapou com a menor taxa entre os países emergentes. Mas o que isso significa para o real e o mercado de câmbio? Vamos analisar os dados e as projeções.
A decisão de Trump, anunciada no Rose Garden da Casa Branca, elevou a tarifa média dos EUA sobre importações para 22% — um salto histórico em relação aos 2,5% de 2024, segundo Olu Sonola, da Fitch Ratings. Países como China (34%), União Europeia (20%) e Camboja (49%) enfrentam barreiras significativamente mais altas, enquanto Brasil, Reino Unido e Austrália receberam a taxa mínima de 10%. A justificativa da Casa Branca é clara: proteger a indústria americana e corrigir desequilíbrios comerciais. No entanto, os efeitos colaterais já se fazem sentir.
Na quinta-feira (3), os futuros de Wall Street despencaram — o S&P 500 caiu 3,47%, o Nasdaq 100 recuou 3,87% e o Dow Jones perdeu 2,89%. O dólar, principal termômetro do mercado forex, exibiu movimentos ambíguos: enquanto alguns esperavam uma desvalorização para tornar os produtos americanos mais competitivos, o que se viu foi uma corrida por ativos seguros, como Treasuries e ouro, que atingiu máxima histórica. Os rendimentos dos títulos de 10 anos dos EUA caíram para 4,04%, o menor nível desde outubro, sinalizando apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, a reação inicial foi de alívio relativo. O real valorizou-se 0,3% frente ao dólar na quarta-feira, e os juros futuros registraram queda de 0,5%, refletindo a percepção de que o país saiu “no lucro” com a tarifa de 10%. Mas o cenário está longe de ser simples.
As tarifas de Trump têm potencial para redesenhar as dinâmicas do mercado de câmbio global. Breno Falseti, da Rubik Capital, sugere que a política pode enfraquecer o dólar globalmente, tornando os produtos americanos mais atrativos e aliviando a pressão sobre a dívida dos EUA. No entanto, André Valério, do Inter, cita um estudo do FMI que aponta um efeito oposto: aumentos tarifários historicamente levam a uma apreciação da taxa real de câmbio na mesma magnitude das tarifas, neutralizando os ganhos na balança comercial. Em outras palavras, o dólar pode se fortalecer no curto prazo, enquanto as importações americanas ficam mais caras e as exportações enfrentam resistência.
Para moedas de países emergentes, o impacto varia. Na Ásia, onde tarifas como 24% (Japão) e 25% (Coreia do Sul) foram impostas, o iene e o won podem sofrer pressão de depreciação, à medida que as exportações para os EUA — um mercado crucial — se tornam menos competitivas. A China, com sua tarifa de 34% e uma adicional de 20% sobre manufaturados, pode redirecionar bens para a Europa, gerando deflação no euro e fortalecendo o dólar em relação à moeda europeia, como prevê Andrzej Szczepaniak, da Nomura.
O Brasil, beneficiado pela tarifa de 10%, emerge como um ponto fora da curva entre os emergentes. Gustavo Cruz, da RB Investimentos, destaca que a menor taxação pode abrir espaço para o país ampliar exportações, especialmente de commodities como carne bovina, caso os EUA restrinjam a entrada de produtos australianos. “O Brasil é o outro grande rebanho do mundo”, observa Cruz, sugerindo que o país pode ocupar lacunas deixadas por concorrentes mais taxados.
No mercado forex, isso se traduziu em um otimismo inicial para o real. A valorização de 0,3% na quarta-feira reflete a percepção de que o Brasil ganhou competitividade relativa frente a rivais como China e União Europeia. Além disso, o esforço diplomático brasileiro — com destaque para a atuação do embaixador Mauricio Lyrio em Washington e a pressão da Amcham Brasil — garantiu a saída do país da lista dos “Dirty 15” para o grupo dos “Clean Three”, ao lado de Reino Unido e Austrália. Esse movimento foi crucial para evitar tarifas mais altas, que poderiam ter chegado a 20% ou mais.
Por outro lado, o cenário global de incerteza pesa contra o real. Se as tarifas de Trump empurrarem os EUA para uma recessão — possibilidade levantada por Antonio Fatas, do INSEAD —, a demanda por commodities brasileiras pode cair, pressionando o câmbio. Além disso, a valorização do dólar como ativo seguro em tempos de crise tende a depreciar moedas emergentes, incluindo o real, independentemente da vantagem tarifária.
Para os traders brasileiros, o momento exige cautela e atenção aos dados. No curto prazo, o real pode se beneficiar de fluxos de exportação e da fraqueza relativa de moedas mais afetadas, como o yuan e o euro. Um nível de suporte a ser monitorado é R$ 5,50, com resistência em R$ 5,70, dependendo da evolução das negociações bilaterais entre Brasil e EUA, previstas para a próxima semana.
No médio prazo, entretanto, o risco de uma recessão global e a política monetária americana serão determinantes. Operadores já precificam três a quatro cortes de 0,25 ponto percentual pelo Fed em 2025, o que poderia enfraquecer o dólar e dar fôlego ao real. Por outro lado, se a inflação nos EUA subir devido ao repasse das tarifas — como teme Frederico Nobre, da Warren —, o Fed pode adiar os cortes, fortalecendo o dólar e pressionando o real para níveis acima de R$ 6,00.
As tarifas de Trump colocam o mercado forex em um estado de alerta máximo. Para o Brasil, a posição de “limpinho e cheiroso” na visão americana oferece uma janela de oportunidade, mas não imuniza o real contra os ventos contrários de uma economia global fragmentada. Traders devem monitorar de perto os desdobramentos das negociações bilaterais, os indicadores de crescimento americano e as decisões do Fed. Em um tabuleiro onde o multilateralismo dá lugar a acordos bilaterais centrados nos EUA, o câmbio será tanto um reflexo quanto um campo de batalha das tensões comerciais. Preparem-se: a volatilidade está apenas começando.
Palavras-Chave: Tarifas de Trump, Mercado Forex, Dólar Hoje, Real Brasileiro , Guerra Comercial, Federal Reserve, Câmbio Global, Exportações Brasileiras, Volatilidade Forex, Economia dos EUA, Corte de Juros, Commodities,Trading Estratégias, Inflação Global, Competitividade Brasileira, Estagflação
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